Amar

É preciso ter astúcia nos romances, é preciso saber driblar a falta que o outro sempre te fará por não ser aquilo que você é. Uma vez li o seguinte:

“É preciso amar como ator, enquadrar-se ao jeito dos outros, conquistar pelo vazio do outro, mas sabeis desde já que não é assim que se ama, mas não te aflinges, pois o tempo de amar de verdade. É preciso pensar que se ama, ser enganado, para ao menos, sentir um sopro mesmo que fraco da vida. Por não conseguir alcançar esse tempo do amar, quase um tempo ontológico, finja que ama alguém e se deixe ganhar um beijo, sinal de todo esse “amor eterno”.

É preciso fingir como poeta, mas finja tanto que chegue a pensar ser amor, pra quem sabe um dia, isso não o venha enganar de uma tal maneira a ponto de você mesmo pensar que ama.

Se não sabes ser bom fingidor, o que te resta é a última sentença proferida pelo amor que se finge de Amor: “sabeis que não ama, mas tenta amar mesmo assim”".

Já eu, prefiro fazer o que sempre fiz de melhor, amar o outro como quem ama a si mesmo.

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