Saudades,
por isso vamos para a praia.
E lá, sem meias voltas e meios caminhos
abrir-se-á o mar profundo,
mar sem fundo,
mar sem fim
trazendo
no olhar
que outrora era cautela, asfalto e aço
a intuição
do mais singelo querer bem.
Depois, atravessado os caminhos da areia,
pisando galho por galho
a encosta da praia
novamente
abrir-se-á, diante de nós.
Abrindo também
nossos olhos
que até então
não sabiam ver.
E com o peito
estufado de orgulho,
a Saudade que nos fez
caminhar toda a praia
terá abolido
nossas dores,
-como as almas
que quando encontram a verdade
emudecem
para sempre
molhadas
na salgada felicidade…-
E no corpo só a pele nos aquecerá,
pois, nossas roupas
rasgadas
de um súbito amor
serão rasteiras
lembranças vazias
que dia após dia
terão sido encobertas
pela areia que umedeceu
por causa da maré
que soou em esplêndida Saudade…

